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domingo, 29 de janeiro de 2012

Casa da Música 2 - Nuno Portas



A estratégia de implantação do edifício baseia-se claramente na manutenção de um afastamento da edificação envolvente (um corte com o contexto) por forma a destacar o sentido objectual que o volume poliédrico hegemoniza. Esse sentido objectual, para além de provocar estranheza constrói um forte sentido iconográfico que permite propagar a Casa da Música para além do local onde se instala. Em relação a este edifício, Nuno Portas procura extrair as consequências em termos de imagem da cidade e afirma que:
“A pedra de Koolhaas é uma ‘pedra no charco’, é um típico projecto da cidade genérica. Costumo dizer como tendência que numa área histórica é a morfologia preexistente da área que escolhe o programa, porque ela é regrada ou modélica. Na periferia, ao contrário, é o programa que escolhe a área, porque ela é mais desregrada, não tem modelo. Este jogo de palavras ilumina pouco esta diferença. O que acontece ali é um homem que teoriza a cidade genérica como o Koolhaas toma a praça da Boavista como sendo já o começo da cidade genérica, e não como uma praça histórica, apesar de a Boavista para os portuenses ser a alternativa mais consolidada que existe ao centro tradicional do Porto”.

Casa da Música 1

Para entender o fenómeno projetual da Casa da Música no Porto gostaria de destacar que para Koolhaas  “Qualquer processo de colonização – a inserção de uma determinada cultura num local estranho – é, em si, um CP (método critico-paranóico de Salvador Dali), ainda mais se ocorrer no vazio deixado pela eliminação da cultura anterior.” (p. 275) Rem Koolhaas, Nova York Delirante, Editorial Gustavo Gili, SL, Barcelona, 2008 (primeira edição de 1978)