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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Obrigado NADIR AFONSO!


Pergunto eu...
O que se vê a partir dessa rua da qual nem todos vemos razões objetivas para nos desligarmos?
Ali, o nosso olhar deambula… procura referências… O nosso olhar procura fixar-se para depois se deslocar…Fixa, para que através de um efeito surpresa, procure captar outro ponto…Afinal, o que é que nós procuramos?
Vê-se o céu e vê-se o chão. Veem-se linhas verticais, horizontais, diagonais e curvas… Veem-se planos, volumes e superfícies complexas. Veem-se opacidades, transparências e penumbras… texturas, luz e sombra. Veem-se claros, escuros e cores. Veem-se regras e exceções. Vê-se ordem e vê-se caos… orientação e desorientação. Veem-se ritmos, cheios e vazios. Veem-se pessoas e carros… sinalética variada. Veem-se encontros e desencontros. Por vezes veem-se árvores…

domingo, 29 de janeiro de 2012

Secção urbana - Leonardo Da Vinci

Verificada a ruptura do destino da utilização sobre o plano horizontal (previsão da zona) e da utilização construtiva puramente volumétrico – quantitativo (normas e regulamentos), a secção arquitectónica deixou de constituir um controlo técnico-construtivo de verificação à posteriori, mas torna-se uma das figuras de partida do projecto, o núcleo gerador de toda a composição, a estrutura teoricamente infinita das novas construções. Não é por acaso que hoje, na impressionante investigação de precedentes históricos, encontramos frequentemente retomados os desenhos de Leonardo da Vinci para uma cidade de vários níveis ou o projecto para a sistematização londrina do Adelphi da autoria dos irmãos Adams, sob a forma de cortes arquitectónicos, destinados a demonstrar uma estrutura dos percursos e dos bens mais complexa que, através de uma imagem a vários níveis, permita compreender a sobreposição de diferentes necessidades e intervenções. Os percursos mais variados, os bens mais diversos, os destinos mais articulados tornaram-se assim elementos de uma composição arquitectónica que anule as relações precedentes e rompa com os limites de propriedade para os transformar no perímetro da forma arquitectónica proposta. (Carlo Aymonino. O significado das cidades. p. 41)

Entre o MATERIAL e o IMATERIAL urbano - Cidade e Arquitetura

De um modo genérico pode afirmar-se que, no território da cidade contemporânea, os sistemas formais e de relação, físicos, correspondem dominantemente a fenómenos pontuais e fragmentários, enquanto que as leituras e os sistemas de estruturação e conexão, globais, tendem a ser predominantemente imateriais, isto é, não físicos. Talvez estes últimos com uma condição virtual que, no âmbito desta explanação, se confrontam com o sentido do real. Nestes termos, se a disciplina da Arquitectura trabalha sobre a materialização das formas de organização do espaço deve aceitar-se que a sua condição de acção transformadora só pode ser fragmentária, reservando-se, assim, as necessárias envolvências, perspectivas e compreensões globais para domínios do pensamento e entendimento imateriais, não físicos.
Mas,se esta é a condição de saída para o pensamento e para o exercício disciplinar da Arquitectura sobre a Cidade, como é que se tratam aspectos também do seu domínio como: os sentidos de conjunto; os critérios de legibilidade e identidade, urbanas; as relações entre a regra e a excepção; a materialização do espaço público ou colectivo, etc.? Qual passa a ser, se é que existe ou interessa, a organização formal e física dos lugares urbanos enquanto entidades e identidades socio-culturais, como componentes essenciais no domínio do património civilizacional?
A verdade é que, o virtual é um domínio com uma elevadíssima capacidade de actualização porque não arrasta, necessariamente, consigo a territorialidade e inércia das realidades físicas, bem como os artefactos culturais radicados nas experiências seculares do saber acumulado pelo homem. Para além disso o virtual está também associado à sofisticação dos meios de simulação de determinados contextos, reais ou mesmo e mesmo e também virtuais, isto é, tende a resolver os seus níveis de eficácia no domínio do não físico. Contudo, é também um facto que, se não se reconhece ao real a capacidade de arrastar e liderar o sentido de percurso do virtual, este, também não parece revestir-se sempre de uma condição credível para liderar o sentido da transformação do real.
Em síntese, face a um território urbano alargado e multiforme, os Urbanistas, os Geógrafos, os Economistas Urbanos, os Sociólogos, os Arquitectos, os Planeadores procuram construir novos espaços de entendimento e trabalho, novos paradigmas, que permitam tratar e prever como devem ser os “palcos” públicos e as representações urbanas e culturais dos actuais e futuros modos de vida socio-culturais e político-económicos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A diletância da Arquitetura...


Se a Arquitetura conseguisse ultrapassar a sua caminhada, muitas vezes obsessiva, diletante e auto complacente na direção exclusiva do culto do objeto, excludente e virtuoso, poderia aspirar à construção do espaço em espera. Aí, poderia aspirar à construção de uma relação de harmonia em potência, onde para além dos jogos, da tríade vitruviana, se trabalhasse intensamente sobre as relações entre o tempo, o espaço e a matéria. Só há Arquitetura se houver Homem, se houver inquietação, devir e indeterminação. A Arquitetura é uma disciplina que trabalha sobre relações, e nesse sentido deverá ser capaz de estar atenta e à altura da sua matéria de trabalho por excelência, a organização do espaço, às condições e à qualidade de vida humana.

Mas afinal o que se vê a partir da rua?


O que se vê a partir dessa rua da qual nem todos vemos razões objetivas para nos desligarmos?
Ali, o nosso olhar deambula… procura referências… O nosso olhar procura fixar-se para depois se deslocar…Fixa, para que através de um efeito surpresa, procure captar outro ponto…Afinal, o que é que nós procuramos?
Vê-se o céu e vê-se o chão. Veem-se linhas verticais, horizontais, diagonais e curvas… Veem-se planos, volumes e superfícies complexas. Veem-se opacidades, transparências e penumbras… texturas, luz e sombra. Veem-se claros, escuros e cores. Veem-se regras e exceções. Vê-se ordem e vê-se caos… orientação e desorientação. Veem-se ritmos, cheios e vazios. Veem-se pessoas e carros… sinalética variada. Veem-se encontros e desencontros. Por vezes veem-se árvores…

entre a cidade e a arquitetura


O entendimento de Álvaro Siza em Imaginar a Evidência sobre a relação entre a cidade e a arquitetura afirma que
A cidade é constituída pela repetição de pequenas unidades que asseguram o tecido contínuo, do qual emergem as grandes estruturas institucionais. (…) Este duplo registo determina a intensidade da expressão arquitetónica. Não existe um monumento imponente na cidade sem a continuidade anónima de múltiplas construções: trata-se de aspetos qualitativos complementares. E contudo, na evolução da cidade, a perda deste sentido do papel de cada construção está aos olhos de todos. A generalizada ambição de protagonismo torna por isso impossível qualquer forma de protagonismo.

Entre a incerteza e a esperança...

‎"Se os corpos luminosos estão carregados de incerteza, nada mais resta do que depositar esperanças na escuridão, nas regiões desérticas do céu. O que pode existir de mais estável do que o nada? E no entanto, também acerca do nada não se pode estar certo a cem por cento." Palomar, Italo Calvino

A investigação em Arquitetura...

A investigação em Arquitetura é uma empresa que trabalha em muitas circunstâncias sobre problemas com contornos difíceis e variáveis. Muitas vezes os seus limites são intratáveis de forma precisa e são muitas vezes convocados para os respetivos domínios como a Engenharia, a Geografia, a Sociologia, a Economia, a Antropologia, a Sociologia, a Ciência, a Arte, a Filosofia, a Política, a Cultura e, ainda, os media